Crónicas de uma Leitora: Dezembro 2012

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

[Opinião] Série Raintree

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   Linda Howard, Linda Winstead Jones e Beverly Barton
Edição/reimpressão: 2007 a 2008
Páginas: 266, 283 e 280
Editor: Harlequin
Colecção: Harlequin Ouro
Sinopse Dante Raintree de Linda Howard:
Duzentos anos depois do clã Raintree os derrotar e abandonar num pequena ilha do Caribe, os magos Ansara estão novamente a elevar-se para enfrentarem os seus inimigos mais inflamados. Apesar dos seus extraordinários poderes e a sua origem sobrenatural, os Raintree integraram-se em grande parte ao mundo moderno. Eles são banqueiros, policiais, maridos, esposas e amantes na sociedade humana. Mas agora, de Nevada a Carolina do Norte, a batalha medirá a resistência do seu povo. Pondo a prova as suas acções e relações. 

Sinopse  Gideon Raintree de Linda Winstead Jones:
É uma marca do destino. Cada membro da família tem um presente especial, um dom de outro mundo.
Gideon Raintree, um detetive de homicídios, pode controlar a eletricidade e falar com fantasmas.
Ele precisava de controlar os seus talentos, mantê-los escondidos para resolver seu recente caso – um implacável assassino em série comandado pelos obscuros magos Ansara.
Mas primeiro, deve enfrentar sua reação a Hope Malory,a sua nova parceira. Nunca planejou apaixonar-se no meio da batalha.

Sinopse Mercy Raintree de Beverly Barton:
Os Raintree, três irmãos com poderes sobrenaturais, devem enfrentar os magos Ansara que, depois de serem derrotados duzentos anos atrás, rebelaram-se de novo para vencer os seus inimigos. Mercy Raintree guarda um importante segredo, por isso, quando este é descoberto pelo mais poderoso dos Ansara, a sua vida e a da sua filha ficam em perigo. O que Mercy desconhece é que se avizinha uma batalha entre clãs, que decidirá o futuro de todos.


Opinião:

A série Raintree conta com três livros cada um escrito por uma escritora diferente. No entanto contam a história dos três irmãos Raintree.
Sendo o primeiro o de Dante Raintree, escrito pela Linda Howard.
Dante, tal como os irmãos, possui o dom orientando então o fogo, o seu elemento. Dono de um Casino muito conhecido chamado Inferno, e de onde ele gere os negócios da pequena família Raintree. Mas, alguém anda a ganhar demasiado dinheiro no casino todas as semanas, e isso é um grande prejuizo.
Curioso por ser uma mulher desanimada que lhe anda a tirar dinheiro do bolso, Dante manda chamar a mulher ao seu escritório de maneira a poder ter uma conversa com ela e saber principalmente como ela ganha tudo. O que não esperava, claro, era que ao vê-la despertasse uma tamanha atracção que ele nem sabe como se controlar, detectando nela também um grandioso poder, que não sabe se ela tem reconhecimento desse poder ou não, o que lhe faz pensar se não será uma espia Anasara e logo uma grande actriz.
Antes que se decida o que é e o que não é, acontece um incêndio no casino que sobre 19 andares, que o obrigada a usar o seu poder da mente para controlar as pessoas, e para manter Lorna a sua beira protegendo-a do fogo até chegarem ao andar de baixo.
Lorna Clay, careceu pobre e com uma mãe excessivamente emocional, que a castigava por ela fazer coisas estranhas com os números, e abusava dela depois de descobrir que poderia lucrar muito quando esta fosse aos casinos.
Os Raintree sentem-se obrigados a cuidar dos seres humanos, enquanto que os Ansara desejam destrui-los e é por isto que permanecem em guerra durante milhares de anos. Há duzentos anos atrás os Raintree venceram esta guerra, permitindo um pouco de paz no mundo, mas que está prestes a terminar.
Dante reconhece em Lorna, uma possível companheira com bastante potencial. Mas quando a despe-a vê que os seus receios sobre ela foram confirmados, mas não consegue ficas indiferente a ela e preocupado faz de tudo para proteger embora a sua "raça" diga que o que ele está a fazer a respeito dela é totalmente proibido,mas o seu desejo por ela fala muito mais alto.

Gideon Raintree orienta a Electricidade, as tempestades e os relâmpagos e vê os fantasmas que não abandonaram a Terra. Detective de Wilmingtron, que tem como aliado um fantasma que o ajuda a detectar quem deve. Conhecedor da maldade do mundo, não só dos Ansara mas também de todos os humanos que não deveriam existir, tem o lema de vida de proteger mas nunca se envolver em romantismo, nem procriar, ou seja não deseja nem mulher e muito menos filhos.
Moonshine Malory, Hope, tem uma mãe e uma irmã que são consideradas hippies, com uma loja virada para os cristais e para as ervas em Wilmington, para onde Hope vai após descobrir que a sua mãe tinha um grave problema de saúde. Esbarrando contra Gideon, devido a mãe de Hope conseguir ver auras e Gideon os fantasmas.
Este acho que para mim foi dos livros mais estranhos dos três, pois depois meteu ao barulho Emma Raintree que é um espírito e que fala com Gideon dizendo que é o espírito da sua futura filha, apesar deste dizer que não quer crianças.

Mercy Raintree, é a guardiã do Santuário, possuidora da espada de ouro da Dranira Ancelin, usada a 200 anos na guerra com os Ansara. Sete anos atrás, depois de terminar a faculdade, pediu uma semana de liberdade dos guardas para estar sozinha e numa das noites conheceu Judá, que soube mais tarde que era ansara. Mas só o soube depois de ir para a cama com ele, abandonando-o. O pior foi quando deu a luz, Eva, que apenas Sindónia tem conhecimento. Eva é poderosa, com o poder de curar os Raintree, ajudando a mãe a proteger o Santuário com os seus poderes.
Sindónia tem oitenta e cinco anos e ajuda Eva e Mercy Raintree no Santuário, mantendo Judá afastado.
Judá Ansara é o Dranir poderoso dos Ansara, e esta a preparar-se para a guerra contra os Raintree, criando um poderoso clã que lhes dará muita luta e que acredita poder derrota-los. Cruel, com grande ódio aos humanos deseja destrui-los após destruir os Raintree, mas no entanto não deseja governar os humanos. Apenas deseja Mercy, apesar de ter tido muitas amantes, ele nunca esqueceu Mercy. Mas deseja também mata-la, o que chaga a ser confuso, pois ama-la como mulher que é mas quer mata-la por ser quem é. E consegue de certa forma chegar a ela e leva-la com ele, sendo então envolvido na sua vida mais uma vez.

Passando as três histórias uma semana antes do solstício de Verão, quando os poderes deles estão mais fortes, unindo-se no final para proteger o Santuário.

Adorei principalmente o ultimo livro, tinha mais acção e mais romance ao estilo que gosto, mas sem duvida que são três livros muito bons e pequeninos que se deixam ler bem.

 
 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Resultado do Mega Passatempo de Natal

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Olá, espero que o natal tenha sido bom, pelo menos com saúde que é o mais importante. Demorei uma semana para divulgar os vencedores do passatempo porque tive que confirmar com as patrocinadoras se a vencedora do 1.º lugar é fã das páginas e nesta época do ano como é compreensível as pessoas dão menos importância ao computador.

Vamos então aos resultados em 3.º lugar

Juliana Melo de Barcelos

Em 2.o lugar

Cátia Correia de Lagos

e em primeirissimo lugar

Helga Rosa do Montijo

Os meus mais sinceros parabéns, irei contactar-vos para pedir a morada! Obrigada por todas as participações e em breve iremos lançar mais passatempos. Entretanto podem continuar a participar no passatempo "Coração Envenenado".

Opinião: "Not that kind of girl" de Siobhan Vivian

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Not That Kind of Girl


Sinopse:
Natalie Sterling wants to be in control. She wants her friends to be loyal. She wants her classmates to elect her student council president. She wants to find the right guy, not the usual jerk her school has to offer. She wants a good reputation, because she believes that will lead to good things.
But life is messy, and it's very hard to be in control of it. Not when there are freshman girls running around in a pack, trying to get senior guys to sleep with them. Not when your friends have secrets they're no longer comfortable sharing. Not when the boy you once dismissed ends up being the boy you wants to sleep with yourself - but only in secret, with nobody ever finding out. 
Slut or saint? Winner or loser? Natalie is getting tired of these forced choices - and is now going to find a way to live life in the sometimes messy, sometimes wonderful in-between.


Opinião:
A vida nem sempre é feita das melhores escolhas e decisões

Natalie Sterling, aos 17 anos orgulha-se de ser perfeita. É boa aluna, presidente da associação de estudantes, um exemplo de como uma adolescente se deve comportar se quer entrar numa boa faculdade e ter um futuro garantido. Não liga a rapazes e está sempre pronta a promover acções que incentivem as raparigas a afastarem-se de namoros e complicações.

Este mundo perfeito é abalado com a chegada de Spencer, uma ex-vizinha de Natalie, de apenas 14 anos, mas que em matéria de namoros, é mais experiente que a miss Natalie Sterling. E é aqui que Natalie vê todo o seu trabalho e esforço em vão, pois irá começar a ter dúvidas e medos sobre os assuntos mais básicos como o primeiro beijo, os namoros, perder a virgindade e a reputação com que ficará se algum dia fizer isso.

Mesmo lutando contra isso, tentando passar uma imagem exemplar, a verdade é que Natalie não consegue resistir aos seus sentimentos. Claro que aqui entra Connor, um bad-boy à primeira vista, mas que tem mais fama que proveito. Sendo Connor tudo o que Natalie tenta fugir, todas as dúvidas e inseguranças vêm ao de cima. O único problema é manchar a sua reputação que ao longo de todos estes anos conseguiu, que lhe valeu muitos elogios mas também uma vida solitária, com poucos amigos e nenhuma diversão.

À primeira vista, “Not that kind of girl” pode parecer um livro leve demais e fútil, mas eu não achei nada disso. Acho que a autora conseguiu passar uma grande lição. Claro que ao ler o livro, temos de nos contextualizar com o ambiente dos liceu americanos, que consegue ser uma verdadeira tortura se não conseguirmos inserir em algum grupo. Não me posso dizer que me identifiquei a 100% com a Natalie, pois felizmente em Portugal, os liceus não são tão maus como nos EUA, mas compreendi todas as incertezas que eram apresentadas no livro, pois basta uma má decisão para sermos julgadas até ao final dos nossos dias.

Infelizmente, pois é verdade, outro dos assuntos que a autora aborda é o sexismo que existe na nossa sociedade contemporânea, no qual os jovens lidam todos os dias. Os rapazes podem fazer tudo que serão sempre os maiores, enquanto se uma rapariga comete algum erro, já é apelidada de muitos nomes feios. Este era o maior medo de Natalie, e acredito que seja o medo de muitas raparigas de hoje em dia, de se entregarem, achando que é a decisão correcta, e no fim sofrerem, com isso.

Não é um livro com grandes surpresas mas que acabou por me espantar pela mensagem que tenta transmitir, que nem sempre a vida é feita das melhores decisões, mas que, se para sermos felizes temos de sacrificar a imagem que temos, então só nos resta tentar viver de consciência limpa com essas escolhas. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

"A Via do Guerreiro", de Chris Bradford - Opinião

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de Chris Bradford
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Quidnovi

Sinopse
Agosto de 1611. A embarcação onde viaja Jack Fletcher naufraga junto à costa do Japão - e o seu querido pai e toda a tripulação são massacrados por piratas ninja. Salvo pelo lendário mestre de esgrima Masamoto Takeshi, a única esperança de Jack é tornar-se um guerreiro samurai. E, assim, começa o seu treino... Mas a vida numa escola de samurais é uma luta constante pela sobrevivência. Mesmo com a fiel Akiko do seu lado, Jack é perseguido por brutamontes e tratado como um proscrito. Com coragem no coração e a espada erguida bem alto, poderá Jack mostrar o seu valor e enfrentar o seu mais mortífero rival?

Opinião:
Aventureiro. Épico. Vivo.
Este é um livro destinado a um público jovem, ou jovem-adulto. No entanto, creio que possa ser lido por todos.  Tem o dom de nos transportar facilmente para uma outra Era, uma nova realidade, uma cultura em tudo diferente da nossa. Trata-se de uma aventura, sim. Mas de uma aventura na qual muitas características do Homem se tornam evidentes. Perseverança, capacidade de adaptação, simplicidade, coragem, curiosidade são algumas das qualidades que fazem com que a personagem principal viva uma história fantástica, cheia de adversidades, mas feliz. Através de 'A Via do Guerreiro' captamos o espírito enraizado no povo japonês assim como o espírito empreendedor dos europeus daquela época. Imperdível para quem gosta de sentir algo que nunca experimentou.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Trama da Estrela de Vasco Ricardo - Opinião

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de Vasco Ricardo
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 240
Editor: Pastelaria Studios Editora

Sinopse
Enquanto uma negra conspiração se vai expandindo por algumas cidades europeias, três adolescentes divertem-se, navegando pela Internet, tentando decifrar mistérios e crimes até então irresolúveis.
Dana, Mark e Rohan são provenientes de nações distintas mas os seus interesses e suas motivações convergem. À medida que uma onda de crimes vai assolando o território do velho continente, os jovens vão interagindo através das comuns salas de chat, falando sobre um infindável número de temas.
O percurso das suas vidas toma, porém, um rumo diferente, acompanhado de estranhos acontecimentos que podem mudar os seus destinos.
Paralelamente, uma sociedade secreta, cujos elementos parecem tão competentes quanto obstinados, move-se de forma obscura e sanguinária, onde todos os seus passos são criteriosamente preparados, na tentativa de alcançar um marco até então inatingível.

Opinião:
Quando conheci o Vasco ele era o autor de A Trama da Estrela, um livro que eu gostaria imenso de ler por ter decidido apostar nos autores nacionais. Entretanto lancei o apelo nos grupos de trocas pois queria diversificar o blogue com opiniões de livros que eu jamais leria e o Vasco foi dos primeiros a oferecer-se fazendo parte ainda hoje dos "opinadores" residentes aqui do blogue, todas as sextas. Quando o meu exemplar da Trama chegou comecei a ficar com medo. Afinal o Vasco é já um grande amigo, daqueles que podemos realmente contar e a minha maior preocupação era "e se agora não gostar?" seria bastante complicado dizer que o livro não era a oitava maravilha do mundo nem sequer sei como se finge que se gosta. Ao longo da leitura fui fazendo perguntas ao Vasco que ele muito pacientemente lá ia respondendo.

A Trama da Estrela é daqueles livros com um desenvolvimento rápido, acontecimentos interessantes e acção por todo o lado! Confesso que os nomes das personagens da ENDIVADAL não são muito criativos mas são divertidos. Os 3 adolescentes que se encontram quase diariamente no chat são iguais a tantos outros espalhados pelo mundo e ao mesmo tempo únicos e iguais a si próprios. Com passagens sérias, com descrições excelentes das cidades europeias e outras hilariantes com as tiradas absurdas dos jovens este livro tem uma sequência de acontecimentos muito bons que nos prende desde o início. Dividido em duas acções distintas que convergem num final surpreendente e emocionante, este é um livro que recomendo. A única coisa que realmente estranhei ao longo de toda a obra foi o facto de se utilizar diversas vezes a segunda pessoa do plural mas isso não é de todo impeditivo nem sequer algo de negativo.

Concluindo adorei o livro, as personagens e claro toda a Trama!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Divulgação TopSeller - Alex Cross no cinema em Janeiro

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Alex Cross, protagonista da série policial mais vendida em todo o mundo, está de regresso ao grande ecrã, desta vez em “Eu, Alex Cross”. Depois da publicação do livro no passado mês de novembro, dia 3 de janeiro chega então às salas de cinema nacionais o terceiro filme inspirado na coleção bestseller mundial Alex Cross, do autor mais bem sucedido em todo o mundo, James Patterson. Tyler Perry, como Dr. Alex Cross, e Matthew Fox, o vilão, são os protagonistas do filme.

O lançamento do livro Alex Cross rapidamente despertou a memória de quem vibrou com os filmes «Na Teia da Aranha» e «Beijos que Matam», então com Morgan Freeman no papel de Dr. Alex Cross.

Conheça melhor James Patterson e os espantosos números que fazem deste escritor o mais bem sucedido do momento em todo o mundo, e ainda mais alguns pormenores do livro Alex Cross, aqui

Os primeiros capítulos do livro estão disponíveis online para ler ou descarregar, aqui.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Um Tesouro Maior", de João Paulo Santos

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Autor: João Paulo Santos
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 320
Editora: Alfarroba


Sinopse: 
Severino Aires, um viúvo saudoso da esposa e apaixonado por tesouros perdidos, ousou esconder um tesouro para ser descoberto após a sua morte. Mas ele jamais imaginou que, devido a essa vontade, a sua morte estivesse tão perto!

Dois ex-reclusos viram naquele tesouro a derradeira oportunidade de uma vida próspera, sem sacrifício, e não hesitam em ceifar a vida ao pobre velho. Quatro amigos, do nada, vêem-se no encalço do mesmo tesouro. Ao aperceberem-se do que lhes caiu em mãos, iniciam uma busca incansável… mas não estão sós! Uma corrida contra o tempo que se torna perigosa, mas que nem assim os faz desistir. Mas valerá o tesouro o suficiente para correrem tantos riscos? Será o tesouro assim tão valioso como promete ser?

Um Tesouro Maior é um romance-aventura carregado de adrenalina e repleto de enredos e de surpresas, tornando-se aliciante pelos códigos e cifras que contém. Uma obra que surpreende até ao último instante.

Opinião:
Nunca tinha lido um livro de um autor português que fosse deste género. Gosto bastante deste tipo de histórias, com códigos, com mistérios e com muita aventura pelo meio, por isso esperava que este livro me fosse agradar. 
A escrita deste livro é muito simples, sem grandes floreados, com descrições simples e fáceis de imaginar. Encontrei vários momentos de acção, momentos que me prenderam e me fizeram querer saber mais. Mas isso foi só até ao meio do livro, depois disso, tudo se tornou muito repetitivo: repetiam-se as atitudes das pessoas, repetiam-se os códigos, repetiam-se as palavras (já não podia ler a palavra célere, ou celeridade!).  As personagens, que pelas descrições tinham quase 30 anos, mais pareciam adolescentes de 16, agindo como tal em várias situações. Se não estivesse explícita a idade deles, era assim que os imaginaria. Os diálogos são básicos, às vezes tão básicos que enervavam. Seria realmente necessário explicar tudo direitinho, como se se estivesse a falar para crianças de 5 anos? É que a única coisa que passou, com tanta basicidade, é que as personagens eram extremamente burras! E os códigos, bem, alguns até me interessaram, mas outros eram tão simples que até eu os desvendei (em metade do tempo das personagens, ressalte-se!). Para finalizar, o livro merecia ter uma revisão ortográfica um bocadinho melhor, pois surgem imensos erros que seriam perfeitamente evitáveis.
Quando comecei a ler, esperava um livro melhor. Estava realmente a interessar-me, mas aí as personagens e o facto de várias coisas se repetirem deitaram o meu interesse um pouco abaixo. Terminei-o porque, no fundo, queria saber como acabava a história, e porque tudo o que disse até agora é suportável. No geral, gostei do livro, por ser uma espécie de novidade para mim, mas analisando cada pontinho, penso que há muita coisa que podia ter sido melhor.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

[Opinião] Abaddon de Rui Madureira

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Edição/reimpressão: 2012
Páginas:597

Sinopse:
Sedento de poder e cegado pelo seu próprio orgulho, Lucifer - o primeiro anjo criado por Deus e o mais belo de toda a estirpe celestial - decide rebelar-se contra o Pai divino após a misteriosa e muito polémica criação do Homem. Persuadindo uma enormíssima falange de anjos guerreiros com as suas ideias de revolta e usurpação do trono divino, o primogénito dos anjos avança sobre as muralhas do imponente palácio de Deus com um vasto exército de anjos rebeldes nas suas costas. Porém, travado pelas brilhantes tácticas defensivas dos Arcanjos Michael, Gabriel, Raphael e Uriel, Lucifer acaba por tombar e ver os seus desígnios megalómanos cortados pela raiz, sendo aprisionado no Inferno para toda a eternidade conjuntamente com os seus seguidores. Os milénios passam, mas nem por isso o revoltado Príncipe dos anjos esquece a sua sede de vingança.

Opinião:

Confesso que o que meme fez ler este livro foi mesmo a capa e o titulo. Não tinha qualquer expectativa do livro, nem acho que conhecia a editora nem o escritor. Foi uma espécie de amor a primeira vista na Bertrand. Tratando-se de Dante et Vergil no Inferno de William-Adolphe Bouguereau, fiquei maravilhada por ter tal pintura na capa.
E não foi para menos, começando com a criação dos anjos e da espécie terrena, conhecemos Lúcifer, estrela da manhã, que é o primeiro anjo criado por Deus, que é ensinado por este sobre o mundo e tudo o que lhe rodeia. É ele que vai ensinar também os próximos anjos sobre quem são, o que são e o que devem fazer. Tudo bem até ao dia em que Deus decide criar outra criatura, o Homem, que era livre e não conhecia Deus, e que poderia escolher segui-lo ou não, acreditar ou não acreditar. E no entanto todos os anjos deveriam curvar-se perante ele.
Perante esta criatura que não é mais do que um simples Humano, Lúcifer recusa-se a ajoelhar. Porque ele? Porque um anjo superior deveria ajoelhar-se perante o Humano que era mil vezes inferior a ele? Quando deveria ser o contrário?
Com a recusa de Lúcifer começa então a revolta, querendo este ocupar o lugar de Deus. Mas não está sozinho, um punhado de anjos que acreditam nas suas ideias e da maneira como pensa, vão com ele, afinal de contas foi ele que lhes ensinou quase tudo.
No entanto devido a defesa dos Arcanjos Michael, Gabriel, Raphael e Uriel, Lúcifer não resiste e cai. Sendo preso no Inferno com todos aqueles que o seguiam.
Milhares de anos se passam, mas Lúcifer não consegue nem por nada esquecer, e não quer. O que quer é vingança, destruir o Homem e o Pai. E por isso mesmo junta-se a Abaddon, uma criatura demoníaca que consegue criar o Apocalipse no mundo terrestre. O que leva a que o arcanjo Gabriel seja mandado a Terra, por Deus, para evitar tal acontecimento e salvar o mundo.

Eu adorei tudo no livro, mesmo tudo. As descrições, as personagens fantásticas. Com uma escrita que me prendeu logo desde o inicio e que não me largava, e de repente o tamanho do livro nem parecia muito.

Excerto
“O Homem tornou-se arrogante, prepotente e insensível! Apesar de todos os avisos, o Homem não hesitou em mergulhar numa existência de imoralidade sem limites! Uma existência em que os abastados arrancam o pão da boca dos mais pobres! Uma existência em que os fortes enxovalham os mais fracos! Uma existência onde o amor pelo próximo é considerado uma fraqueza! E agora, é chegado o dia de fazê-los regressar a uma condição de proba humildade. Não percebes, Michael? O espírito do Homem foi infectado pelo vírus da corrupção e da crueldade. E o Apocalipse, por mais brutal e tenebroso que seja... é a única forma de combater essa infecção.”



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"Contos da Terra do Dragão", de Wang Suoying - Opinião

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Autor: Wang Suoying
Edição/reimpressão: 2000
Páginas: 130
Editor: Editorial Caminho


Sinopse:
Este conjunto de histórias proverbiais e anedotas foi adaptado pela professora Wang Suoying e pela Mestre Ana Cristina Alves. 
A adaptação é uma recolha baseada nas lendas e contos tradicionais chineses. Estes foram transmitidos, oralmente ou por escrito, de geração em geração, muitos desde há alguns milénios. Fazem parte de um saber expressivo, figurativo e metafórico, acumulado para uso e vivência dos chineses. Os episódios narrados têm grande valor educativo, porque não só os pais os vão passando aos seus filhos, antes de dormir, como aparecem ainda nos manuais escolares. As frases proverbiais que surgem como títulos das histórias têm também um grande valor retórico, na medida em que são citados constantemente nas conversas, artigos de jornais, discursos e livros, e imediatamente compreendidos por todos. Daí que sejam fundamentais para qualquer estrangeiro poder aceder a um conhecimento mais completo e preciso da língua, mentalidade e cultura chinesas.
As autoras, que se conhecem de longa data, têm trabalhado juntas em alguns projectos, por exemplo, Ana Cristina fez a revisão da parte portuguesa da Gramática da Língua Portuguesa da autoria do casal Wang Suoying e Lu Yanbin.

Opinião:
Engenhoso. Cultural. Mágico. 
Este é um livro diferente do que é habitual observar em compilações de contos ou relatos milenares. A verdade é que parece ter havido, por parte de quem o concebeu, um enorme cuidado e uma procura exaustiva de forma a encontrar histórias realmente cativantes, engraçadas ou incomuns.
Todos os contos são marcantes, cada um à sua maneira, e facilmente conseguimos imaginar aquilo que nos é descrito, apesar de longínquo, tanto a nível espacial como temporal.
Na realidade, cada vez que voltamos a página encontramos uma  história surpreendente, com uma mensagem importante a transmitir, utilizando o humor, a ironia ou a ternura.

Boas Festas!

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Onde anda o verdadeiro espírito de Natal?

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Como estamos em contagem decrescente para o Natal e de todo o consumismo que tanto me irrita resolvi partilhar convosco o meu artigo de opinião que vai sair amanhã em mais uma edição do Jornal de Santo Thyrso, publicação centenária do concelho de Santo Tirso. Para que juntos possamos reflectir....

A poucos dias da entrada em mais uma quadra festiva fico cada vez mais alarmada com uma realidade triste e dura: porque será que só, agora, as pessoas se lembram de abrir os seus corações em prol daqueles que mais necessitam de aconchego e, por vezes, uma simples palavra de conforto? Onde anda o verdadeiro espírito de Natal durante os restantes dias do ano? São estas duas questões para as quais ainda não encontrei resposta porque ainda sou daquelas que se mantém fiel ao lema de que o Natal é sempre que um homem quiser. Claro que, desta vez, e dada a grave crise financeira do país o consumismo tão próprio desta época (e com o qual discordo em absoluto) já não é tão gritante mas continua a haver muita boa gente que só nesta época se lembra do próximo. Como estão equivocadas…Já dizia o famoso escritor Charles Dickens de que “o Natal é um tempo de benevolência, perdão, generosidade e alegria. A única época que conheço, no calendário do ano, em que homens e mulheres parecem, de comum acordo, abrir livremente seus corações”. Mas não devia ser assim. Porque só agora decidem abrir os seus corações quando estes deviam estar abertos nos restantes dias. O espírito de união, de entreajuda, de solidariedade deveria continuar enraizado em cada um de nós independentemente da época em que nos encontramos. Para dar um exemplo, a TVI fez há dias uma festa no Casino do Estoril com toda a pompa e circunstância em ajuda à Missão Sorriso. Até aí tudo bem. Pior é que aquilo mais parecia um desfile de vaidades e, depois, os apresentadores de serviço iam-se congratulando com o dinheiro arrecadado através das chamadas telefónicas. Sim, era o simples português, cidadão anónimo, que foi contribuindo para esta causa e perante tantas vedetas presentes naquela ampla sala de espectáculos, decorada a rigor e onde era servido tudo do bom e do melhor, porque é que esses artistas tão conhecidos da nossa praça não deram o exemplo ajudando a angariar, do seu próprio bolso, uma verba para esta iniciativa? Enfim…é a sociedade que temos que, como o povo tão sabiamente diz, só se lembra de Santa Bárbara quando troveja! Para mim o Natal é todos os dias. Quando se estende a mão a alguém que necessita, quando se contribui para um sorriso de uma criança, quando ouvimos um amigo que passa por obstáculos na vida, quando simplesmente dizemos a quem gosta de nós e nos trata bem que estamos lá para o que der e vir. Isso sim é o verdadeiro Natal, aquele que Jesus tenta incutir em cada coração!

Susana Cardoso

Saudações literárias

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A Marca do Diabo de Rennie Airth - Opinião

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A Marca do Diabo

Autor: Rennie Airth
Género: Policial
Editora: Ulisseia
Páginas: 344


Sinopse:

Decorre o ano de 1932 e John Madden, o brilhante inspector da Scotland Yard, está reformado e desfruta de uma pacata existência no campo com a mulher e os filhos. 
Esse mundo protegido, alheio aos conflitos que se antevêem na Europa, é subitamente perturbado por uma descoberta macabra: nos campos que cercam a casa de Madden, jaz o corpo destroçado d uma menina da aldeia, brutalmente assassinada. Madden está convencido de que não se trata de um crime isolado, sobretudo quando há mortes suspeitas que vão muito para além daquela zona rural de Inglaterra - um serial killer anda a monte. As evidências começam a apontar para um suspeito que possa ter ligações com as redes de espionagem internacionais, actuando sob o respeitável disfarce das suas missões, e satisfazendo assim o seu insaciável apetite de matar. 
Madden terá de colaborar com os serviços secretos britânicos e até com a polícia alemã. 
Mas poderão todos esses esforços evitar que o assassino cometa um novo crime?




Opinião:

Numa pacata zona da Inglaterra, uma criança de 12 anos é violada e brutalmente assassinada e o seu rosto completamente desfigurado, demonstrando uma intensa raiva por parte do criminoso.

Ao longo da investigação, a Scotland começa a descobrir que este não é o único crime com a mesma assinatura, outros surgiram em diferentes zonas de Inglaterra e até mesmo para lá das fronteiras. Todas as vitimas são meninas entre os 10 e 12 anos de idade e provavelmente ainda existirá mais.

Os investigadores não tem outra solução senão pedir a colaboração da policia onde foram cometidos os outros crimes, mais eis que tudo aponta para que o assassino seja de nacionalidade inglesa. O assassino tem que ser alguém com uma ocupação que lhe permita ou até mesmo exija, deslocações e permanências durante meses a esses países. Desconfia-se de uma figura publica importante e até mesmo com imunidade. Com isto tudo a Scotland Yard receia um escândalo que afectará negativamente o seu país, estando a Europa às portas de uma Guerra iminente.

Este livro é intenso e tem uma escrita muito inteligente. Ao lê-lo senti como se fizesse parte das personagens, vivi intensamente os seus sentimentos, as suas frustrações, a sua impotência, sabendo que o criminoso já teria escolhido a sua próxima vitima. É urgente descobrir a identidade deste serial killer bem como da sua presa.

Adorei "A Marca do Diabo", embora aborde a morte de crianças, que é algo que mexe muito comigo. Considero este livro de leitura obrigatória, para quem gosta de um excelente policial. 

Não conhecia nem nunca tinha lido nada de Rennie Airth, mas vou querer muito ler o seu outro livro traduzido em PT "Rio de Trevas", aguardando com expectativa que este me proporcione uma leitura tão agradável quanto este.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

[Opinião] Quatro Contos Dispersos de Sophia de Mello Breyner.

3 comentários:
Quatro Contos Disperso
Autor: Sophia de Mello Breyner.
Edição/reimpressão: 2012
Páginas:72
Editor: Porto Editora
Sinopse:
Este livro reúne quatro contos escritos entre 1985 e 2004.
O adjetivo "dispersos" incluído no título indica que foram primeiramente editados em publicações diversas e em diferentes datas, concordando com a ausência de ligação entre as várias narrativas.

Estes Quatro Contos Dispersos apresentam-nos, assim, histórias com enredos bem distintos: os preparativos para a execução de um homem; um encontro insólito durante uma viagem de comboio; as deambulações de um músico cego na Lisboa pós-revolucionária; e as histórias de vida e morte de Ana Bote, a mulher do banheiro de uma praia atlântica. 

Opinião:


Depois de uma renovação dos mais famosos títulos de Sophia de Mello Breyner , como a Fada Oriana e A Menino do Mar, temos agora Quatro Contos Dispersos.
Assim a Porto Editora pretende divulgar a obra da escritora, principalmente para os escritores mais novos.

Eu lembro-me perfeitamente de ler estes livros quando andava na escola, tinha imensos na biblioteca, livros que se lê bem e que são fantásticos.
Tal como diz na sinopse Quatro Contos Dispersos tem nele quatro contos escritos entre 1984 e 2004, que foram publicados individualmente e em épocas diferentes, por isso os contos não têm qualquer ligação entre eles

Falando dos contos em si, adorei todos, mais principalmente o segundo, talvez por me ligar um pouco. Começamos por um homem que é condenado a forca e a terra toda tem tempo para os preparativos, como se se tratasse de uma festa. O segundo já é uma senhora que conta uma série de verdade de razões porque deveremos andar de comboio e o seu encontro insólito com um outro viajante, já para não dizer que esta senhora tem uma viajem de 3 horas seguidas e tem que ocupar o seu tempo, e nada melhor do que ler um livro, isto é se ninguém estiver sempre a chatear. O que mais gostei neste foi sem duvida as descrições porque o final foi um pouco estranho. O terceiro conta a história de um cego que é músico e anda por Lisboa pós-revolucionária. Por ultimo conta a história da vida e da morte de Ana Bote.
Contando também com as maravilhosas ilustrações de João Caetano. Um livro fantástico como é próprio de Sophia De Mello Breyner

domingo, 16 de dezembro de 2012

Opinião: "O mundo proibido de Daniel V." de Maria Luísa Castro

7 comentários:
O Mundo Secreto de Daniel V.


Sinopse:

Verónica é uma jornalista recém-divorciada na casa dos 30 anos. Para trás deixa um casamento, uma promessa de felicidade que nunca foi concretizada e um marido que nunca foi um amante ou companheiro. Tudo muda quando a fragilizada Verónica conhece o enigmático e sensual Daniel Vasconcelos. Bonito e dono de um olhar penetrante, Daniel envolve-se com ela levando-a ao limite do prazer, a uma vertigem de sentimentos que se julgava incapaz de sentir. A vida de Verónica nunca mais será a mesma: prazer, desejo, sexo e luxúria passarão a fazer parte do seu dia-a-dia. Mas estes não serão os únicos sentimentos que experimentará ao lado de Daniel: a insegurança e a dor serão também uma constante, levando-a a questionar se valerá a pena tentar entrar num mundo tão intenso e proibido no qual chega a correr perigo de vida. Será Verónica capaz de mudar este homem para quem o prazer pessoal não tem limites, que se diz incapaz de amar mas que, ao mesmo tempo, não consegue estar longe de si? Serão eles capazes de viver uma história de amor com final feliz?

Opinião:

O romance erótico está em alta no nosso mercado português e até já estava a estranhar não haver ainda nenhum livro escrito em português dentro deste género tão popular nos nossos dias. A editora Matéria Prima resolveu apostar neste mundo intrigante de Daniel V. e prometendo-nos uma história arrebatora e apaixonante, um teste aos limites do amor e do prazer, posso dizer que, analisando bem os gostos literários de hoje em dia, é uma aposta ganha. Embora com bastantes reservas. 

Passando rapidamente ao enredo temos Verónica, uma trintona que se vê sufocada num casamento sem amor e sem prazer. Decidida a viver a sua vida, divorcia-se e tudo muda quando conhece Daniel Vasconcelos, um homem enigmático e com bastantes reservas quanto ao amor. 

As tais reservas que não me deixam a aconselhar este livro a qualquer pessoa começam logo nas personagens. Verónica não é virgem nem tímida mas há mesma é uma personagem frágil e insegura do rumo da sua vida, características cliché das personagens deste tipo de romance. Preciso mesmo de dizer o que Daniel é? É tudo o que encontramos em outros livros como "As cinquenta sombras de Grey" ou "Rendida".

A trama é simples, embora tenha mais algum aprofundar em certos assuntos (casamento infeliz, ajuda em terapia), o enredo principal foca-se na relação entre Verónica e Daniel e na forma como ele a controla, de como nunca ninguém o deixou assim blá blá blá. Parece que já li este discurso n vezes e já começa a faltar a paciência para os mesmos diálogos.

Diversas situações exageradas não me caíram bem durante a leitura, como por exemplo o voyeurismo, o facto do Daniel salvar prostitutas da Máfia (what?!façam já uma avenida com o nome do homem, é um herói!) o sexo entre estranhos, o sexo não consensual, aquelas festas/orgias, a melhor amiga lésbica...ok não foram diversas situações, foram muitas. 

Mais uma vez, (ou sou muito naba ou então não sei) não senti nenhuma ponta de romance entre os protagonistas, achei que os sentimentos que predominavam eram sem dúvida o desejo e a luxúria e nunca o amor ou a paixão. E embora no fim o Daniel tenha subido alguns pontos na minha consideração (para quem era tão céptico quanto ao amor, mudou de ideias muito depressa) não é suficiente para afirmar que os protagonistas se amam loucamente (na minha opinião)

O final fica em aberto e pergunto-me se haverá continuação. Da minha parte não fiquei com nenhuma curiosidade sobre o que poderá acontecer.

Mafi

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"Tokyo Killer", de Barry Eisler . Opinião

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Autor: Barry Eisler
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 288
Editor: Saída de Emergência


Sinopse:
John Rain é um assassino. O seu talento é matar. A sua especialidade: fazer com que pareça um acidente ou morte por causas naturais. Mas Rain tem as suas próprias regras e sabe que não as pode quebrar. Meio americano, meio japonês, ele é um mercenário treinado para fazer o trabalho sujo que os governos negam existir. Na frenética cidade de Tóquio, até uma carruagem de metropolitano em hora de ponta, está repleta de oportunidades para provocar a morte de uma vítima. 
John Rain pode não ser um bom homem, mas é bom naquilo que faz. Confiante, discreto… ele é o melhor assassino que o dinheiro pode comprar. Até ao dia em que se apaixona pela sedutora filha de um homem que matou. Todas as suas regras estão em causa. E o amor pode tornar-se o seu maior inimigo

Opinião:
Esclarecedor. Movimentado. Redentor. 
Este é um óptimo livro. O protagonista é alguém detentor de uma profissão pouco simpática, só que, desde o início, cativa de uma forma muito própria. John Rain nem é particularmente simpático nem emocional, mas todas as suas movimentações são bem feitas. E, vá, tem uma certa ética incomum no universo do crime.
Para além disso, a acção é constante e baseada em acontecimentos que se sucedem uns atrás dos outros, embora sem exageros.
Contudo, o que me atraiu enquanto leitor curioso, foi a descrição do Japão, principalmente de Tóquio. Não é um livro de viagens, mas um thriller emocionante que se alonga à cultura, sociedade e política nipónicas.
Através desta narrativa descobri que o mundo obscuro deste país tão organizado não difere muito de outros, incluindo o nosso.

Passatempo Coração Envenenado

1 comentário:
E temos mais um passatempo desta feita com a colaboração da nossa parceira editorial Civilização.

Este passatempo serve para dar inicia a mais uma secção aqui no blogue, iremos a partir de Janeiro começar uma secção infanto-juvenil o que inclui todos os livros para crianças e jovens até aos 17 anos.

O livro a ser sorteado foi editado no passado mês e está incluído na secção juvenil da Civilização Editora. Sendo que já foi lido e revisto aqui no blogue acho-o aconselhável a partir dos 13 anos, sendo que é uma excelente prenda de natal.

Para ganhar um exemplar de Coração Envenenado basta seguir as regras:

1) Responder ao questionário 
2) Ser residente em Portugal 
3) Participar até às 23H59 do dia 31/12
4) As respostas podem ser encontradas no blogue
5) A Administração do blogue não se responsabiliza por qualquer falha dos CTT

Diário de um Banana - Divulgação!

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O Natal está aí mesmo à porta, e tendo em conta a permanência de O Natal está aí mesmo à porta, e tendo em conta a permanência de O Diário de um Banana 6: Tirem-me Daqui!, desde o lançamento em novembro, no Top 10 Nacional Absoluto (ficção), acreditamos que muitas crianças vão ter no sapatinho o mais recente título da coleção bestseller mundial e em Portugal.

E porque os livros autografados têm sempre um sabor especial, o Greg vai passar o fim de semana em Lisboa a dar muitos xoxos (Hughes and Kisses) e autógrafos. É uma oportunidade única de conviver com a personagem dos hilariantes diários que colocaram milhares de crianças a ler.

A série O Diário de um Banana mantém-se ininterruptamente na lista de bestsellers do New York Times desde 2007 e já foi traduzido para mais de 44 línguas, em 37 países. O Diário de um Banana 7, lançado em novembro nos EUA, teve uma primeira impressão recorde de 6,5 milhões de livros!

Adaptado para o cinema pela Twentieth Century Fox, o terceiro filme já estreou nos EUA e está disponível em Portugal em DVD, apenas e em exclusivo, num pack com O Diário de um Banana 6 (pack exclusivo Continente). O êxito desta série notável tem prosseguido imparável. Em Portugal O Diário de Um Banana 1 está já na 17.ª edição, e a coleção já atingiu os 400 mil exemplares. No Facebook são já 87.500 mil os amigos do Greg (www.facebook.com/diariobanana). 6: Tirem-me Daqui!, desde o lançamento em novembro, no Top 10 Nacional Absoluto (ficção), acreditamos que muitas crianças vão ter no sapatinho o mais recente título da coleção bestseller mundial e em Portugal.

E porque os livros autografados têm sempre um sabor especial, o Greg vai passar o fim de semana em Lisboa a dar muitos xoxos (Hughes and Kisses) e autógrafos. É uma oportunidade única de conviver com a personagem dos hilariantes diários que colocaram milhares de crianças a ler.

A série O Diário de um Banana mantém-se ininterruptamente na lista de bestsellers do New York Times desde 2007 e já foi traduzido para mais de 44 línguas, em 37 países. O Diário de um Banana 7, lançado em novembro nos EUA, teve uma primeira impressão recorde de 6,5 milhões de livros!

Adaptado para o cinema pela Twentieth Century Fox, o terceiro filme já estreou nos EUA e está disponível em Portugal em DVD, apenas e em exclusivo, num pack com O Diário de um Banana 6 (pack exclusivo Continente). O êxito desta série notável tem prosseguido imparável. Em Portugal O Diário de Um Banana 1 está já na 17.ª edição, e a coleção já atingiu os 400 mil exemplares. No Facebook são já 87.500 mil os amigos do Greg (www.facebook.com/diariobanana).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A promessa do anjo

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Título: A Promessa do Anjo
Autores: Frédéric Lenoir e Violette Cabesos
Título original: La Promesse de L’Angle, Éditions Albin Michel 2004
Tradução: Catarina Rocha Lima
Editora: Difel 82 - Difusão Editorial, Fevereiro 2006
Páginas: 438


Sinopse:
Mortes, Rituais, Segredos Milenares, Amores Proibidos, ao longo de uma história que perdurou no tempo…
Uma rocha na costa da Normandia açoitada pelas tempestades, um lugar de cultos primitivos celtas que foi santificado pelos primeiros cristãos: o Mont-Saint-Michel ainda não revelou todos os seus segredos. No início do século XI, os construtores de catedrais ergueram em honra do arcanjo Miguel, guia das almas ao Além, uma enorme abadia.
Mil anos mais tarde, Johanna, uma jovem arqueóloga apaixonada pela Idade Média e encarregue de levar a cabo escavações na célebre abadia beneditina, encontra-se prisioneira de um enigma no qual passado e presente se unem de forma estranha.
Mortes rituais, segredos milenares, amores proibidos do passado que renascem impetuosos no presente. A jovem arqueóloga tem de percorrer um caminho de volta ao passado, que a situa perante uma história que perdurou no tempo à espera do desenlace final, enquanto uma voz nos seus sonhos lhe repete: «Há que escavar na terra para aceder ao céu.» 


Opinião:
Comprei este livro depois de uma amiga minha ter visitado o tão afamado Mont-Saint-Michel e me ter encantado com todos os pormenores aliciantes daquela visita, além dos segredos cravados em cada rocha daquele catedral erguida num rochedo fustigado pelas tempestades, no século XI, em honra do Arcanjo Miguel. Este foi sempre, através dos séculos, um local sagrado. Desde o universo céltico pagão até ao cristianismo medieval, esteve profundamente ligado a práticas mítico-religiosas.
O entusiasmo inicial não saiu defraudado porque esta é uma obra super cativante que inevitavelmente teria de fazer parte da lista literária da minha vida. Pois é, tal como temos uma banda sonora para cada momento que passamos (eu pelos tenho J, achei por bem criar a minha própria lista literária, da qual fazem parte os livros que mais me marcaram nos últimos anos. E, este é um deles. Apaixonado por arqueologia e pela história, juntei então o útil ao agradável e confesso que os autores conseguiram mesmo transportar-me para aquele monumento sagrado, que só conhecia através de imagens e de um postal que a minha amiga me trouxe daquela ilha francesa.
Trata-se de uma história cativante, muito bem escrita, plena de suspense, e que prende o leitor em cada página. Por isso não foi de estranhar que tenha sido premiada com o “Prix des Maisons de la Presse 2004” e durante quase um ano esteve no top de vendas em França.
A obra conta a história de Johanna, uma jovem arqueóloga apaixonada pela Idade Média, que desde a infância ouve uma voz, nos seus sonhos, que lhe diz: "Ad accedendum ad caelum, terram fodere opportet" (Há que escavar na terra para aceder ao céu). Mil anos mais tarde, é incumbida da missão de fazer escavações na abadia beneditina e fica prisioneira de um enigma no qual o passado e o presente se unem de forma estranha, face a mortes rituais, segredos milenares e amores proibidos que renascem no presente. Este cenário inesperado acaba por obrigar a jovem arqueóloga a uma retrospectiva no tempo e a perceber o porquê da célebre frase que sempre a intrigou “há que escavar na terra para aceder ao céu”. Ou seja, e resumindo de forma prática, colhemos aquilo que semeamos. Muito mistério e vários enigmas por descodificar fazem deste um livro obrigatório para quem como eu adora a história.

Susana Cardoso

Saudações literárias

Branca de Neve de Benjamin Lacombe - Breve opinião

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"- Oh, minha rainha! Vós sois muito bela mas, se me perdoais, Branca de Neve é mil vezes mais."

Era uma vez, em pleno coração do inverno, uma rainha que bordava junto à janela. Através da moldura de ébano contemplava os flocos de neve que pairavam no ar, como se fossem penas. Subitamente, picou-se no dedo e três gotas de sangue caíram na neve. Sobre a brancura fulgurante da neve, o vermelho sobressaía de forma tão bela, que pensou: «Ah! Oxalá tivesse um filho com a pele branca como a neve, os lábios vermelhos como o sangue e o cabelo negro como o ébano!».


Um Benjamin publicado em Portugal.

“Branca de Neve” é o primeiro livro do talentoso ilustrador francês Benjamin Lacombe a ser publicado em Portugal. Tem a chancela da editora Paleta de Letras e chega às livrarias como uma forte aposta de natal para o público infanto-juvenil. 
Lacombe é conhecido pela preocupação minimal para com os detalhes de conceção, fazendo com que um livro se transforme num objeto mágico e requintado, para assim deslumbrar o leitor não só pela qualidade das ilustrações, mas através do brilho, do acabamento e textura de papel. O livro assume-se como uma obra de arte de coleção. 
Lacombe andou na Escola Nacional de Artes Decorativas (ENSAD) em Paris e, aos 19 anos, publicou o seu primeiro livro. Desde então, trabalhou com dezenas de editoras de todo o mundo e os seus temas recorrentes são a juventude, a melancolia, a solidão e a diferença, temáticas tabu que fogem ao habitual universo infantil colorido e que, num misto de inspiração pré-rafaelista e contemporânea, resultam num estilo próprio. 
Bem ao seu estilo, Lacombe apresenta-nos uma Branca de Neve envolta em mistério e em nostalgia, com imagens a transportarem-nos para o reconto surrealista da obra. O ilustrador recria os personagens tradicionais da versão do conto dos irmãos Grimm. 
Para o editor Pedro Seromenho, que promete várias ações de promoção originais, “este é o filho mais novo, o benjamim, mas outros livros de Lacombe serão publicados em Portugal. É um ilustrador extraordinário que já tem muitos seguidores por cá.” 

Breve opinião:

Ontem entrei na Bulhosa do Oeiras Parque apenas para observar, adoro percorrer as prateleiras, estantes e mesas cheias de livros. Ao chegar à secção infanto-juvenil deparei-me com este livro, já o "conhecia" do facebook e do blogue Leitura não Ocupa Espaço e dirigi-me logo a ele. Confesso, fiquei de queixo caído. As páginas, grossas, com relevo, rugosas, brilhantes são fantásticas. As ilustrações maravilhosas, dignas de quadros, de serem apreciadas na sua plenitude. Os pequenos segredos que vamos encontrando no livro são deliciosos para os mais pequenos que adoram descobertas. Infelizmente não poderei falar da qualidade da escrita porque o tempo escasseia e não seria bonito estar em plena Bulhosa a ler, mas a julgar pelo resto não acredito que fique atrás. Este livro é realmente uma verdadeira obra de arte e deixo aqui os parabéns à Paleta de Letras, a Editora responsável por trazer esta maravilha para Portugal. É com certeza uma prenda de grande qualidade para oferecer a todas as crianças neste natal.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amo ler porque... #4

Sem comentários:
A Ana Ferreira, proprietária do blogue Illusionary Pleasure entre tantas outras dezenas de coisas que faz, é para mim uma verdadeira força da natureza. Dona de uma opinião muito própria que não deixa nada por dizer, achei que seria a pessoa perfeita para mais um artigo para a rubrica Amo ler porque...

A DAMA DAS CAMÉLIAS
ou
Margarida Gautier, a minha primeira heroina trágica favorita



Com a adaptação da obra de Tolstoi “Anna Karenina” as editoras parecem predispostas a reviver o clássico “A dama das Camélias” de Alexandre Dumas, filho. A obra sempre foi uma perda grande nas estantes portuguesas. Uma vez ou outra via uma reedição com capa pouco apelativa, comparando com a que tenho em casa. Para quem tinha quatorze anos e uma enorme falta de vontade de ler qualquer tipo de livros (sim vamos continuar na ilusão que qualquer escritor nasceu a querer escrever e que desde miúda que o meu sonho era esse... er pois, exacto, não e não tenho vergonha nenhuma de o admitir)., a coisa até correu bem. A minha mãe forçava-me a ler um livro por ano (no Verão), ao ver-me ao lado da Playstation a jogar RPGs.
“Não tens nada mais para fazer?” Eu de barriga para baixo a tentar decifrar o que as criaturas no jogo estavam a dizer em inglês, olhava para ela, à espera do sermão.
“Estou a jogar, não vês?” Ela irritada, ia à estante cheia de clássicos de bolso da Europa-América e lá atirava-me um.
“Lê que te faz bem e deixa a porcaria dos jogos.” Não sei quanto a vocês, mas eu sempre fui habituada a ser sincera, honesta e a obedecer aos pais e professores, por isso lá comecei a ler. Não vou contar a minha experiência com as folhas caídas do Almeida Garrett antes do secundário, porque foi no minimo traumática (do género, eu a ler e pensar “mas o que é que este gajo fumou mesmo?”).
“A dama das Camélias” não foi o primeiro livro que li a sério, mas foi a primeira “hint” de que se calhar um dia eu viria a adorar literatura (o sr. Shakespeare e o sr. Wilde mais tarde confirmaram). A visão de uma mulher bonita e rica reduzida a esqueleto é chocante. Dumas filho opta por situar o leitor no presente, Margarida Gautier está morta e todos os seus pertenceres serão leiloados. Armand Duval, um amante antigo seu, ao ver o seu apartamento ser despido, decide lutar no leilão para ter pelo menos um pertence da sua amada agora morta. Estas são as primeiras páginas intensas que o autor ofereceu a uma “pseudo”leitora jovem. O início é excelente e teve todos os ingredientes para me chamar a atenção. Quem foi Margarida? Porque é que ela morreu? Porque é que o Armand a adorava tanto a ponto de guerrear um leilão por causa de um diário? Devido à minha inexperiência literária as próximas páginas foram uma tortura. Não consegui deixar o livro e li-o numa tarde. A dama das Camélias não é um page-turner, longe disso. Mas é uma história de amor intensa, um retrato fascinante sobre a vida das cortesãs e a luta constante entre o poder do dinheiro na vida e do amor.
Margarida Gautier tornou-se a minha personagem favorita durante uns largos anos (ok ainda está no panteão pessoal de personagens femininas trágicas... what can I say? Adoro mulheres fortes que acabam mortas). Primeiro de tudo era muito bela, aos catorze anos, é quase impossível uma rapariga não gostar de mulheres bonitas com charme. Segundo tinha uma profissão reprovada pela sociedade (e talvez o Freud consiga-me explicação a fascinação que tenho por personagens que são prostitutas na ficção). Se formos a ver bem, a Cleopatra (sim Shakespeare, estou a olhar para ti) não escapou à morte (in fact, she embraced it), Prünhilt atirou-se para a pilha funerária de Sivrit, mesmo sendo uma Valquíria, Lady Macbeth, a grande Lady Macbeth não escapa à sua própria loucura, a personagem Fanny Hill (a inocente que caiu nas malhas da prostituição) conseguiu um final feliz, já Juliette (olá, Sade) e até Satin (do filme Moulin Rouge) não conseguiram fugir ao estereótipo de prostitutas que acabam por morrer. O primeiro instinto é ter pena destas mulheres que amaram, por outro lado a sua morte é uma espécie de libertação e renúncia à vida pecaminosa que levaram. Por outro lado, Armand é um herói longe da personagem de Mr. Darcy ou até do tempestuoso Heathcliff. Armand vê-se sugado pela beleza de Gautier (já que ela também tem pouco mais a oferecer do que isso mesmo) e luta por conseguir que ela se cure e tenha uma vida modesta. Durante algum tempo, na inocência pensamos que sim, que eles vão poder ficar juntos para sempre. Margarida conseguirá conter-se nas suas despesas para ficar com um homem que a ama, e quer cuidar dela? Estas perguntas correm o leitor durante as páginas do livro e, ainda que este seja um pouco pesado (a história é apenas esta, com detalhes históricos, claro), é quase impossível evitar a lágrima no canto do olho (ou várias).
Claro que passado alguns anos, pensei que a magia da Dama das Camélias tinha sido apenas devido a ser uma primeira leitura inexperiente. Antes de entrar na faculdade, decidi reler. Mas então as lágrimas voltaram a cair e voltei a sentir tudo o que tinha sentido na primeira leitura. Não tentei a terceira vez mal acabei a licenciatura. O medo venceu-me. Li duas vezes, mas e se desta vez achar que o livro afinal era uma lamechice pegada? E se encontrar novos simbolismos e adorar ainda mais o livro? Perferi ficar na dúvida, permanecer com o gosto especial de que um dia também eu ia conseguir escrever um livro que mexesse com as pessoas e as fizesse chorar (e para isso precisei de criar a minha própria personagem trágica, oh dear). Decidi que queria fazer o mesmo que o Dumas, filho e roubar a esperança das pessoas, dar-lhes um amor lindo, uma história bonita e depois, num último acto de crueldade retirar o sopro que os leitores possuem. Porque é isso que este livro me provocou. Atirei-o contra a parede, perguntei porque é que tanto Margarida e Armand não podiam lutar contra um final boss e ficar tudo bem com uma música de fundo linda. Depois lembrei-me que aquela história havia sido verídica. Margarida Gautier existiu e foi aquele o seu fim. Depois das lágrimas e da rejeição daquele final, vem a aceitação. Aceitamos que o mundo seja injusto, uma merda e que nem sempre o amor vence. Esta lição foi-me dada através dos livros, através dos consequentes murros que os autores me davam sem sequer saberem. Afinal qual é o propósito de ler um livro se este não nos incomoda minimamente? Os melhores livros são aqueles que nos arrancam o coração e nos deixam a lutar para voltarmos ao nosso mundo seguro. Por vezes os autores decidem serem Deuses misericordiosos e devolvem a réstia de vida, mas nem todos os Deuses são piedosos e devemos aceitar as bofetadas de olhos fechados e agradecer a experiência.

PS: O compositor Giuseppe Verdi gostou tanto da obra que a adaptou para ópera, ao qual deu o nome de “La Traviata”. O livro está disponível em edição de bolso da Europa-América.