Crónicas de uma Leitora: Setembro 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

"Corações sem Dono" de Lucy Dillon

1 comentário:
Corações Sem Dono

Sinopse:


Histórias de solidão, amor e recomeços ou como cachorros abandonados podem salvar corações solitários.

A londrina Rachel de trinta e nove anos descobre que tudo na vida pode dar uma volta enorme quando e como menos se espera.
Tudo começa num momento conturbado: na mesma semana Rachel perde o namorado, o emprego, descobre o primeiro cabelo branco e é acusada pela irmã de ser egoísta por se ter esquecido do aniversário do sobrinho.
Como se não bastasse de repente tem de se mudar de Londres para uma pequena cidade de província, no fim do mundo, onde uma tia lhe deixou em herança um canil a abarrotar de cães, uma casa enorme e uma montanha de dívidas.
Mas nem tudo é o que parece e nem só de problemas se fará este novo percurso de Rachel; graças aos amigos de quatro patas, muitos corações solitários vão descobrir valiosas lições sobre lealdade, companheirismo e amor incondicional.

Opinião:

Desde que este livro saiu no ano passado que tive curiosidade em lê-lo! Adoro animais domésticos e gosto principalmente de ler sobre relações entre humanos e animais e lendo a sinopse este livro pareceu-me o ideal. Digo já que a sinopse engana um bocado pois eu estava à espera de o livro se focar apenas na Rachel, uma mulher trintona que se vê sozinha a gerir um canil e uma casa cheia de dívidas, ambos deixados pela sua tia Dorothy, uma grande admiradora de cães. O livro não é apenas isto, é muito mais do que aparenta. Neste livro temos um retrato fiel de como os animais são os melhores amigos do Homem e de como estes seres de quatro patas, sempre adeptos a brincadeiras podem dar grandes lições de vida. 

De todas as histórias se entre-ligam em si, a que mais me tocou foi a do casal Johnny e Natalie, no seu desespero por engravidar, nas tentativas falhadas, na máscara de felicidade que tinham de mostrar quando alguém lhes contava que estava grávida, e isso aconteceu quando Rachel engravida inesperadamente de George, o veterinário do canil. Foi de partir o coração quando as duas se encontram a Rachel simplesmente não consegue esconder que está à espera de um filho. A chegada de um cão, Bertie irá deixar o casal mais animado neste momento tão difícil. Também simpatizei com Zoe mas apenas em vários momentos, houve alturas em que me irritou pois deixava-se levar por tudo e por nada não se sabendo impor! Refiro-me às artimanhas do ex-marido. Não obstante isto, gostei do seu retrato como mãe e de tentar perceber como os filhos estavam abalados com o divórcio dos pais. Claro que o labrador Toffee irá ser uma companhia para Zoe, nos fins de semana em que os filhos estão com o pai. Quanto a Rachel, gostei dela! Vê-se abalada por ter terminado um relacionamento de dez anos com um homem casado e pela morte da sua tia mas irá encontrar em Gem, um simpático cão a companhia e lealdade que precisa neste momento de solidão.

Nao há que enganar: neste livro os verdadeiros protagonistas são Gem, Bertie e Toffee que têm uma nova esperança de serem amados e irmão ajudar as três mulheres a encontrarem o caminho para a felicidade!

Foi uma leitura bastante agradável, amorosa e ternurenta. Não tenham medo de ler pois ninguém morre no fim do livro ;) 

Uma Aposta Perversa de Emma Wildes - Opinião

3 comentários:
Autora: Emma Wildes
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 352
Editor: Editorial Planeta
Sinopse:
Não se fala noutra coisa na cidade. Num momento menos sóbrio, os dois mais famosos libertinos de Londres - o conde de Manderville e o duque de Rothay - fazem uma aposta muito publicitada para decidirem qual deles é o melhor amante. Mas que mulher que reúna beleza, inteligência e discernimento concordará em ir para a cama com ambos os homens e declarar qual deles é mais competente a satisfazer os seus desejos mais profundos? Lady Caroline Wynn é a última mulher que alguém esperaria que se oferecesse. Uma viúva respeitável com uma reputação de gelo, lady Caroline mantém-se firmemente fora do mercado de casamento. Pode não desejar outro marido, mas o seu breve casamento deixou-a com algumas perguntas escandalosas sobre o acto de fazer amor.

Se o conde e o duque concordarem em manter secreta a identidade dela, lady Wynn decidirá qual dos dois detém a maior mestria entre os lençóis. Mas, para surpresa de todos, o que começa como uma proposta indelicada transforma-se numa espantosa lição de amor eterno....
Opinião:
Um livro que se lê num fôlego, uma escrita fácil, rápida e elegante que nos envolve e nos faz perder nas suas linhas. O tema? Uma aposta ultrajante, escandalosa, polémica. Os dois homens mais cobiçados de Londres numa noite de copos decidem apostar qual deles é o melhor conhecedor de mulheres, o amante mais ardente mas o dificil não é encontrar uma senhora disposta a ajudá-los mas que seja "séria" e sem segundas intenções. Tendo em conta que a ação se passa no sec. XIX este tema é ainda mais escandaloso. Numa sociedade pretensamente virtuosa as polémicas sucedem-se. O Conde e o Duque são grandes amigos perto da casa dos 30 anos e que se recusam a tirar a pureza a uma donzela mas conseguem com o seu charme e recorrendo ao uso do flirt que várias mulheres passem pelas suas camas, casadas, viuvas! Contudo jamais imaginariam que a jovem viuva do visconde Wynn pudesse aceitar este desafio e lhes propusesse ser a juiza de tal aposta.
O Duque de Rothay mais conhecido por Duque Demoniaco fica intrigado com Caroline e propõe que cada um tenha uma semana na sua companhia considerando que uma noite é pouco para lhe mostrar tudo o que sabe fazer. Contudo foi surpreendido com a ingenuidade e assombro da jovem mulher. Tendo-se escondido detrás de um manto gelado de distancia Caroline afasta as pessoas que se encontram à sua volta com altivez não dando azo a mexericos. Nos braços do Duque encontra não só o prazer que o falecido marido nunca lhe deu como também passa dias maravilhosos ao seu lado, desfrutando da sua companhia, conversando de tudo conseguindo chegar a um nivel de intimidade muito mais intensa que a sexual.
Entretanto o Conde de Manderville é consumado pelo amor que descobriu há mais de um ano, não se conforma com esse facto e faz as mais variadas tropelias e peripécias.
 
O amor surge onde menos se espera e Emma Wildes consegue-nos cativar com as suas personagens e descrições da época. Percebemos em várias ocasiões as referências à sociedade inglesa do sec. XIX, os bailes, os maneirismos, os comportamentos em sociedade tão diferentes das verdadeiras intenções e maneiras de estar em privado. Um livro realmente leve, sem demasiados dramas e complicações. As suas descrições são interessantes não roçando sequer o enfadonho.

Gostei imenso e espero ter oportunidade de ler outras obras desta autora. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"Pátria", de Robert Harris - Opinião

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Autor: Robert Harris
Edição/reimpressão: 1993
Páginas: 378
Editor: Bertrand Editora

Sinopse:
Obra impressionante cujo pano de fundo é uma probabilidade histórica: os nazis ganham a guerra. A acção situa-se na Alemanha dos anos sessenta, quando uma série de crimes levanta suspeitas a um oficial da polícia de investigação. Por entre os meandros de uma sociedade hermética, fechada em torno do seu líder carismático, Hitler, o protagonista vai seguindo as pistas que o levam ao tema tabú da Alemanha nazi vencedora: que foi feito dos judeus. Num vigoroso suspense, o polícia vai abrindo as brechas da moral nazi e das suas próprias convicções à medida que se aproxima das razões que estão por trás dos homicídios. Uma conspiração a que se deu o nome de solução.

Opinião:
Revolucionário. Original. Excitante.
'Pátria' foi o primeiro livro que li acerca da eterna e emblemática perspectiva 'e se Alemanha tivesse ganho a 2ª guerra mundial'. É muitas vezes duro, noutras sombrio. Mistura o conhecimento histórico do autor com a sua excelente capacidade de criar um enredo envolvente num ambiente de tempos e eras desconhecidos à maioria dos leitores.
Este livro possuí todos os ingredientes para que seja devorado em poucas horas que se tornam rápidas à medida que a narrativa avança.
A  visão que o autor, e historiador,  impõe sobre um mundo que nunca saberemos como seria é bastante detalhada e lógica, conseguindo ser muitas vezes quase real. Existem igualmente certos pontos (negativos) focados que nos mostram de um jeito matreiro naquilo que a sociedade hipoteticamente se transformaria.
Adorei este livro de um autor que aprecio imenso.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Heróis da história de Portugal como nunca foram contados

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Título: Heróis da história de Portugal como nunca foram contados
Autor: Pedro Marta Santos
Ilustrações: Tiago Gonçalves
Editora: Guerra e Paz, Novembro de 2011
Páginas: 206

Sinopse:
O que é um Herói? Será alguém que sofreu e superou algum tipo de provação como Nun’Álvares Pereira, herói de Aljubarrota, ou Fernão de Magalhães, obstinado em provar que se podia, por mar, dar a volta ao mundo?
E não será herói Luís de Camões, que sobre si mesmo se fecha para escrever Os Lusíadas?
Ou Aristides Sousa Mendes por ter preferido seguir um imperativo ético em vez de se submeterão poder de Salazar?
Num tempo de descrença e pessimismo, sabe bem recordar os Heróis da nossa História. Sabe bem ler a história de homens e mulheres que foram um exemplo de coragem física, de abnegação, ou de construção de imaginário, de desenvolvimento científico, de mudança de costumes, de firmeza moral, de coerência política.
O autor, Pedro Marta Santos, dá-nos, com emoção e verdade, a história de 10 Hérois da História de Portugal. São 19 histórias que nos contam a História como nunca tinha sido contada. Uma narrativa a que as ilustrações de Tiago Gonçalves oferecem um contraponto visual.
Heróis de Portugal é o livro do reencontro com as nossas figuras maiores: com as suas aventuras e com as suas imagens.

Opinião: 
Com o actual estado da nação portuguesa, onde as medidas de austeridade e opressão são uma constante por parte do Governo e têm originado, cada vez mais, indignação por parte dos portugueses, bem visíveis nas manifestações de protesto nas últimas semanas, este é o livro ideal para nos recordarmos – isto é para quem se esquecer – que afinal temos de nos orgulhar de ser quem somos, pelo menos em homenagem aos nossos antepassados. Com uma retrospectiva pela história, Pedro Marta Santos, jornalista e argumentista - autor dos guiões de Amália, O Filme, A vida privada de Salazar e Uma aventura na casa assombrada – transporta-nos no tempo e, pelo menos, a mim fez-me redobrar o orgulho em ser portuguesa.
Através dos exemplos vindos da nossa história, com homens e mulheres de pulso, garra e forte determinação, temos de encontrar aí forças para nós próprios superarmos os obstáculos actuais, sem entrar em lamentos, que não levam a lado nenhum, e sem nunca cruzar os braços. Seguir em frente mesmo em tempos de dificuldades, lutar contra estigmas impostos pela sociedade e defender, até ao limite, as suas crenças e ideais foi o que fizeram algumas das personalidades abordadas neste livro. Desde D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal e fundador de Portugal (que tanto me orgulha ou não fosse eu natural de Guimarães, o Berço da Nação), passando pela Rainha Santa Isabel, um exemplo de solidariedade e ajuda aos mais desfavorecidos, Luís de Camões, um dos ex-libris da nossa literatura; Carolina Beatriz Ângelo, natural da Guarda, uma mulher de ideias fixas e que foi das primeiras a entrar na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa; até Aristides Sousa Mendes, para mim um dos maiores da nossa história ao ter tido a coragem de desafiar o regime fascista de Salazar, salvando a vida a milhares de judeus. Com uma escrita fácil e, em simultâneo, um humor e uma ironia que se encontra em cada frase, este livro torna-se super cativante para ficarmos a conhecer melhor as nossas raízes. Afinal, se não defendermos e imortalizarmos o que é nosso quem o fará?

Saudações literárias!!!

Susana Cardoso



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mar de Sangue de Steve Mosby - Opinião

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Autor: Steve Mosby
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 292
Editor: Europa-América

Sinopse:
Alex Connor quer fugir do seu passado. Após a morte da mulher, ele quer esquecer a sua vida e só a sua amiga Sarah lhe dá ânimo.
Sarah é assassinada e a Polícia, embora tenha descoberto o criminoso, que rapta mulheres e as tortura para que se esvaiam em sangue, não encontra o seu cadáver. As horríveis buscas policiais obrigarão Alex a despertar para a vida e para várias mortes cruéis. Somente Paul Kearney, um agente da Polícia, parece compreender a sua espiral descendente na loucura e os dois terão de se embrenhar num mundo negro e sinistro.


Opinião:
Depois de ter lido o Assassino 50/50 pensei que nenhum livro me poderia voltar a surpreender da mesma maneira. Enganei-me. Se já achava Steve Mosby um génio agora fiquei com a certeza absoluta. Somos completamente transportados para uma trama macabra, cheia de contornos arrepiantes e electrizantes.

Mais uma vez a narrativa é-nos dada em dois ritmos diferentes, na primeira pessoa por Alex Connor e na terceira pessoa vemos o detetive Paul Kearney, os dois fazem investigações diferentes em busca de mulheres diferentes, ambas desaparecidas, que no final se cruzarão e ditarão o final. Esse ritmo de início é esgotante pois somos transportados de um lado para o outro e pode-nos quebrar um pouco a leitura mas assim que nos habituamos e começamos a tentar relacionar tudo ficamos verdadeiramente assombrados.

Desta vez não há um assassino para descobrirmos no final, não vemos aquela acção forte e emocionante mas um entrelaçar de acontecimentos que se completam e que nos faz compreender todos os comos e porquês. Só pensamos em descobrir mais, queremos virar páginas mais depressa do que lemos e ansiamos pois mais uma linha antes de sermos obrigados a colocar o livro de lado por qualquer razão.

Com as suas descrições detalhadas conseguimos ver todos os pormenores do que nos é descrito ficando sempre num estado de nervos agonizante. Um livro forte que me fez pensar muitas vezes que realmente há pessoas assim, tão doentias que são capazes de fazer o que aquelas personagens sinistras fazem e saber que vivo num mundo com pessoas com uma perturbação tão grande é realmente assustador. Mosby faz uma pessoa pensar na condição humana. Questionarmo-nos sobre até onde podemos ir, levados pela loucura.

Temos temas fortes e chocantes, como a violência e a pedofilia. Organizações que  jogam com as situações mais macabras. A obsessão de um homem em busca da sua melhor amiga que leva-nos a descobrir um mundo com contornos de deixar qualquer um sem fôlego. Um livro imperdível.

Realmente Steve Mosby É um mestre, um verdadeiro génio que aconselho a todos os amantes da literatura policial.

Acheron de Sherrilyn Kenyon - Opinião

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Autora: Sherrilyn Kenyon
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 682
Editor: Casa das Letras


Sinopse:

Somos treva. Somos sombra. Somos os predadores da noite. Somos eternos...


Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples... 
Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los - aos dois.



Opinião:


O que dizer deste livro?
Comprei o meu 1º livro da autora num pack juntamente com Nora Roberts e ficou na estante um bom ano. O 1º livro da saga não me despertou interesse praticamente nenhum, saltei o 2º (que sei ter de o ler entretanto) e li até ao nº 8, uns bons, uns muito bons (Dança com o Diabo e Sedução na Noite – lido numa noite), outros com muita palha. A minha irmã mais nova desde cedo me pediu o Acheron e já lho havia oferecido pelo Natal. O meu esteve na estante bastante tempo… até à semana passada… POR FAVOR, quem o tem na prateleira leia os 2 primeiros capítulos… depois TENTEM PARAR!


A escrita da autora neste livro supera os dois acima mencionados, um livro com tantas páginas e somos quase como conduzidos à velocidade da luz, pelas páginas fora. Fiquei contente por não ter sido o 1º livro que li desta saga, aconselho sinceramente a lerem primeiro uns quantos ou mesmo, a deixarem para último, embora na minha opinião, acho preferível ler a meio da saga e porquê?



Não acho que se deva iniciar com este devido a todo o sofrimento pelo qual Ash passa (sofrimento atrás de sofrimento atrás de sofrimento, sim sim, de fazer chorar as pedras da calçada, bem como o alcatrão novo da A8). Dificilmente conseguimos visualizar este personagem como alguém forte e a quem os Predadores da noite devem obediência. A minha melhor amiga leu este em 1º lugar e passa o tempo com pena do Ash, eu como o li a meio da saga, consigo perfeitamente vê-lo como uma personagem dominante em toda a saga. Por outro lado não acho que deva ser lido em último pois ficamos a perceber como funcionam os panteões (Grego e Atlante) que me fizeram recuar as páginas por diversas vezes a fim de melhor compreender a trama.



Concluindo, lendo o Acheron em 1º lugar, despertará em nós, instintos maternais… lendo mais tarde… despertará instintos libidinosos! 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"O Pintor de Sombras" de Esteban Martin - Opinião

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Autor: Esteban Martin
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 319
Editor: Saída de Emergência

Sinopse: 
Barcelona, finais do séc. XIX. Um dos maiores génios artísticos de todos os tempos é revelado ao mundo: Picasso. Desde criança que o seu talento irrequieto é avassalador. Picasso é um jovem rebelde que cedo vê os seus estudos académicos serem prejudicados pela sua irreverência. Depois de se apaixonar loucamente por uma mulher, ela abandona-o sem deixar rasto. Ela era a sua musa, a sua inspiração, a primeira mulher que amou verdadeiramente na vida. De coração partido, Picasso começa a procurar consolo na vida boémia e nos bordéis da rua Avignon. Mas tudo se complica quando alguém parece seguir os seus passos, deixando entre as prostitutas um rasto de mortes violentas que apontam Picasso como o principal suspeito. Uma por uma, as estranhas mortes vão-se tornando cada vez mais violentas e assemelham-se em tudo às que 10 anos antes assombraram as ruas de Londres.

Opinião:
Imaginem uma história em que se cruzam personagens como Pablo Picasso, Jack, o Estripador e as pessoas que, supostamente, deram origem às histórias de Sherlock Holmes. Intrigados? Pois, eu também fiquei.
Quem me conhece, sabe que tenho um certo fascínio por serial killers, mas de todos eles, Jack, o Estripador é absolutamente o meu preferido. Sim, o que ele fez foi horrível, mas a forma como escapou e gozou com as autoridades provoca-me uma enorme vontade de o “admirar”. Saber que ele seria uma das personagens deste livro foi o grande impulso para o comprar, embora considere Picasso um autêntico génio.
Na minha opinião, este livro é genial. Sem pormenores exagerados, Esteban Martin leva-nos a conhecer uma Barcelona cheia de bares, prostíbulos e vida boémia. Nela encontramos o jovem Pablo Picasso, um rapaz com aspirações a pintor, que se envolve nas mais variadas situações. Historicamente, o livro está bastante correcto, e isso despoletou-me o interesse em ler mais sobre o pintor. A referência constante ao quadro “Las Mademoiselles d’Avignon” intrigou-me, e quando vi o quadro (admito que não tinha perfeita noção de como ele era) compreendi como estava perfeita a forma como este foi inserido na trama.
O livro centra-se na busca do assassino de várias prostitutas, cujas mortes foram assinadas por Jack, o Estripador. São então exploradas teorias sobre a identidade de Jack. Teorias reais. Mais um ponto positivo no belo trabalho de investigação, já que nenhuma ponta foi deixada solta. O mais fantástico é a forma como estas duas personagens, Picasso e Jack, o Estripador, se conseguem conjugar e construir uma história com sentido.
Esteban Martin aproveitou-se de várias situações: os capítulos são pequenos, permitindo pausar a qualquer momento; as descrições são as suficientes apenas para se perceber os locais e as situações; as personagens são reais, mas envoltas em mistério; a época da história é fascinante. Criou assim, como já disse, uma história genial, que me colou do início ao fim, e me impeliu a fazer as minhas próprias investigações. Um autor a que certamente vou estar atenta no futuro. 

[Divulgação] Maria Barroso Um Olhar sobre a Vida de Leonor Xavier

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Autora: Leonor Xavier
Editora: Oficina do Livro
PVP 14,90 eur
312 págs. 


“Para o cenário de uma vida, há os momentos iluminados de palco, as emoções que se exprimem na força do significado, os silêncios quietos na sombra dos bastidores. Na história de Maria de Jesus, o cenário é a arte de amor e de liberdade, de compadecimento e de paz”


Sobre o Livro
Maria de Jesus Simões Barroso nasceu no Algarve em 1925. Ainda criança muda-se para Setúbal, onde faz a escola primária, descobre o prazer da escrita e apaixona-se pela leitura. Na adolescência declamava poesia, a família descobre-lhe o talento para a representação. Ainda adolescente torna-se aluna do curso de Representação Dramática do Conservatório Nacional. Nascia uma mulher de palco. Na companhia Rey Colaço – Robles Monteiro representou, no Teatro Nacional, várias peças sempre com o aplauso da crítica e do público.

Em 1945 conhece Mário Soares. Casaram, tiveram dois filhos e um percurso de vida nem sempre fácil devido às sucessivas prisões de Mário Soares, às perseguições políticas de que ambos foram vítimas. Do palco do teatro, para o palco da política, esta mulher enriqueceu a sua vida dedicando-se a muitas causas humanitárias. Criou  a Pro Diginitate, a fundação onde ainda trabalha com o mesmo empenho e dedicação que sempre a caracterizaram.

 Maria Barroso – Um olhar sobre a vida é mais do que uma biografia. É uma homenagem a uma mulher ímpar na vida cultural do nosso país, uma figura incontornável, um ser humano que, com este livro, aprendemos a admirar.


Sobre o Autor
Leonor Xavier Jornalista e escritora, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, viveu no Brasil entre 1975 e 1987. No Rio de Janeiro, onde foi correspondente do Diário de Notícias, duas vezes lhe foi atribuído o Prémio de Melhor Jornalista da Comunidade Portuguesa. Pelo seu trabalho sobre Emigração e sobre as relações entre Portugal e o Brasil, foi distinguida com a Ordem do Mérito. Autora de romances, contos, ensaios e crónicas publicadas nos dois países, é biógrafa de Maria Barroso e de Raul Solnado. Pela autobiografia Casas Contadas (2009, Asa, Leya, Lisboa), foi distinguida pelo Prémio Máxima de Literatura 2010.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

[Opinião]Uma Carta Inesperada de Barbara Taylor Bradford

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 Autor: Barbara Taylor Bradford
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 432
Editor: Asa
 
Sinopse:  Justine Nolan é uma mulher de sucesso com uma carreira artística fulgurante. Mas as memórias que guarda com mais carinho remontam à sua infância, um tempo que recorda como mágico. De visita a casa da mãe, Justine abre inadvertidamente uma carta que vai mudar tudo o que ela julgava saber sobre a sua família e até sobre si própria. As revelações são tão chocantes que a jovem pede a ajuda e o conforto de Richard, o seu irmão gémeo. Juntos, resolvem descobrir a verdade custe o que custar. Mas para o fazer, ela terá de viajar até Istambul - a vibrante e sedutora cidade onde se cruzam Ocidente e Oriente. É um lugar com os seus próprios segredos e cujo magnetismo aproxima Justine de um homem fascinante que parece saber mais do que aquilo que está disposto a revelar.
 
Opinião: 
Vinda de Istambul chega uma carta que Justine Nolans não estava nada a espera. O pior é que nem era endereçada a si mas à sua mãe. Como não é normal a mãe não receber cartas, muito menos de Istambul, ela abre-a.Só não pensava que isso poderia mudar a sua vida.
A carta foi escrita pela melhor amiga da sua avó e vai causar um enorme impacto tanto na vida de Justine como na do seu irmão gémeo, Richard. Depois de analisarem a situação, fica decidido que Justine deve viajar sozinha até Istambul a ponto de descobrir se o contiudo da carta seria verdade.
As descrições de Istambul foram fenomenais e completamente surpreendentes que me fizeram desejar não parar de ler para continuar na viagem, pois parecia que estava mesmo lá e era eu que andava lá a passear novamente.
Uma carta inesperada conta a história de duas pessoas,a de Justine, uma mulher que quer agora descobrir a história da sua família e os segredos desta e saber os significados dela. A outra é de um outro familiar, que conta uma história de sobrevivência na segunda guerra mundial.
Gostei muito de ambas, Justine, com a sua carreira, o seu relacionamento com a mãe e os segredos que a sua mãe tem e a sua própria história de amor.
Apesar de também achar que devido a serem duas histórias senti que o livro era um pouco apressado, ou então era o meu desejo a querer cada vez mais.
Esta é uma óptima leitura que aconselho a quem gostar do género, pois ira deliciar-se com estas histórias

Entrevista a Célia Correia Loureiro

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Tivemos o prazer de entrevistar Célia Correia Loureiro a autora de Demência, cuja opinião podem encontrar aqui no blogue, e que lançará no próximo dia 20 de Outubro a sua obra, O Funeral da Nossa Mãe. Pedimos à Célia que nos falasse de si e eis o que nos disse.



"Nascida a 4 de Dezembro de 1989, fui sempre criada em Almada. Mais velha de cinco irmãos, estudei Informação Turística na ESHTE. Com o curso vieram as Línguas, a História, a paixão pelas tradições. O amor à escrita vem de sempre e, da primeira vez que me vi de frente para um computador, em noventa e tal, em vez de abrir o Solitário pedi para me abrirem “algo onde pudesse escrever” e pus-me a compor um conto. Adoro História, Arte e outras Culturas. Sou um bocado expansiva, falo demais e sou igualmente observadora. Gosto de ver o Homem a viver, a reagir. Gosto de ouvir falar das histórias dos outros. Sou completamente viciada em leitura."



 O seu primeiro livro retrata situações muito específicas mas bastante presentes na nossa sociedade. Quanto da sua experiência pessoal colocou nessa obra?
Não muito. Não da experiência da vida real, pelo menos, excepto no que diz respeito ao Alzheimer, porque convivi de perto com uma das suas “vítimas”. Mas quanto a violência doméstica, amores trocados, abortos? Limitei-me a eliminar a linha ténue que é, para mim, a que distancia a realidade do meu mundo interior. São temas que mexem comigo, aos quais presto atenção e sobre os quais tinha algo a dizer. Foi só expressar-me a seu respeito, porque vivê-lo ou testemunhá-lo próximo de mim não tinha testemunhado. Embora, claro seja que todos temos alguém não muito afastado que viveu algo do género.


Que tipo de pesquisa faz antes de iniciar um novo livro?
Depende do livro. Para o “Demência” reuni artigos sobre o Alzheimer. Para “O Funeral da Nossa Mãe” pesquisei sobre o Portugal dos anos 70 – veículos, música, empresas, anúncios televisivos, mentalidade – e ainda sobre a síndrome de alcoolemia fetal. Pesquisei ainda sobre a Índia sob controlo Português e sobre as raízes e mitos e simbolismos associados ao lápis-lázuli. Para o 1809… bem, é melhor nem começar… li inúmeras páginas de calhamaços de História, fui buscá-los à biblioteca, fui limpar-lhes o pó na minha prateleira, associei-os à Gazeta de Lisboa (início do séc. XIX) online, e ainda ao “Diário de Clarissa Trant”, residente em Portugal aproximadamente nessa altura, digitalizado directamente da Austrália. Vi reportagens e li artigos e ensaios a respeito das Invasões Francesas, etc., etc., etc.
 
Está prestes a lançar o seu segundo livro. Podemos esperar temas igualmente fortes?
Se tiver de enumerar a temática deste novo livro, fá-lo-ia do seguinte modo: relações mãe-filhos, suicídio, pedofilia, deficiência física, disfuncionalidade familiar. Creio que no geral se resume a isto. Se os temas são abordados de modo a que possamos chamá-los “fortes”… isso é ao critério do leitor. Mas… uma mulher que tem tudo para ser feliz e se suicida porque o seu amor já partiu e os filhos não são suficientes para fazê-la feliz? Uma criança a nascer deficiente nos braços de uma mãe sozinha? Negligência materna ao ponto de permitir que o/a filho/a acabe por ser vítima de abusos sexuais? Talvez. Mas a minha intenção não é chocar nem falar de temas que me ultrapassam. São pequenas lições de vida que gostaria de transmitir e de alertar as pessoas a seu respeito.





 Quais as expectativas para “O Funeral da Nossa Mãe”?
Eu penso que este novo livro vá satisfazer todos os que apreciaram o “Demência” – mais ainda a quem teria gostado de ver uma história de amor como protagonista nesse primeiro romance. Neste novo há um amor enorme – daqueles que consomem quem ama e o objecto desse amor, há outros amores paralelos, há três mulheres indecisas, muito femininas, fortes e frágeis à sua medida, a reunir coragem para desmascarar os podres da união dos seus pais. Acho que os leitores vão achar este livro divertido, nalguma medida. Não é algo que se pretenda deprimente, porque a ligação mãe-filhas não era tão forte que este fosse um “funeral” convencional. Mas vão sentir esse amor enorme. Penso que lhes há-de apertar o peito, porque a mim aperta-se ao relê-lo. É mais um lavar de roupa suja. É mais um regresso às raízes e o reunir de três irmãs, agora adultas, que estendem na mesa as peças do puzzle que reuniram respeitantes à união dos seus pais.

Tem algum tipo de organização pessoal para escrever ou fá-lo por inspiração?
Eu bem tento organizar-me, mas nem na escrita funciona. Geralmente faço uma folha com um esquema inicial quando me ocorre a ideia para o romance, porque eu vejo-o transversalmente – do primeiro momento ao último. É claro que ao final do primeiro capítulo já fugi a todo esse primeiro relance que tive. Tenho esse documento a respeito de “O Funeral da Nossa Mãe”, que a propósito teve outros dois nomes antes deste, e que em nada convergem para o que o romance se tornou. O primeiro capítulo é que se manteve o mesmo: a Carolina suicida-se.

Quais os seus projectos literários para o futuro?
Espero muito ganhar terreno com romances históricos, porque dá-me realmente prazer escrever sobre épocas-chave da história nacional, como o terramoto de Lisboa de 1755 ou as Invasões Francesas. Mas também quero muito criar algo introspectivo, quem sabe uma compilação dos textos do meu blogue ou trabalhar melhor um romance que me foi muito pessoal, intitulado “Os Pássaros”, que ainda não sinto suficientemente maduro para abandonar o ninho. Quero algo a uma voz, algo que só faça nexo no interior da cabeça de alguém, e que fale de amor. É que, até bem tarde, o amor foi a coisa que melhor compreendi e que, simultaneamente, mais me intrigou e mais me instigou a escrever.

Acha que o público está mais receptivo aos jovens autores ou ainda se agarram a nomes conhecidos?
É uma boa pergunta. Fiquei surpreendida com a quantidade de pessoas interessadas em ler-me e a outros autores no meu “patamar”. São de tal modo aficionados da literatura que se interessam pelo novo, mas são também apegados aos escritores habituais. O meu desejo é o de que me torne em breve familiar de todas estas pessoas que se dispõem a ouvir a voz dos novos escritores, até que, com o tempo, já lhes pareça da velha guarda. Mas em geral acho que são uma minoria. Isto porque conheço muitas pessoas apegadas ao best-seller e ao livro de autor conhecido. Qualquer actriz/jornalista/apresentadora de tv/jogador de futebol que publique um livro sairá sempre a ganhar aos novos escritores. Porque creio que quem os lê, no fundo, não pretende um encontro com o livro, mas sim um vislumbre do interior do autor, uma aproximação a este rosto que lhe é querido. Vejamos, porque ultimamente têm havido algumas reviravoltas culturais. Quer dizer… a E. L. James safou-se com uma publicação própria, de um livro de raízes pouco recomendáveis em termos de boa literatura, e o mundo inteiro anda a lê-la, mesmo com dezenas de livros do mesmo género – praticamente todos os romances históricos que andam a sair actualmente – ao lado na prateleira e a ser ignorados… Quem lê este género de literatura nem costuma ser quem tem mais prática nestas andanças. Às vezes até são pessoas pouco familiarizadas com a leitura e que ouvem tanto frufru que acabam por aderir ao movimento… Também é certo que alguns escritores, seja a nível nacional ou internacional, já se enraizaram de tal modo no universo da escrita que o leitor estará sempre receptivo às suas obras, e inclusive disposto a dar-lhes crédito quando alguma não é tão bem conseguida. Assim sendo, é bom saber que geralmente até são os leitores a ir ao encontro dos novos autores, visto que estes, tantas vezes, nem voz têm para lhes chegar, e isto é uma tendência nova e admirável.

Como foi dar os primeiros passos para ser editada? Foi difícil?
Dar os passos não é difícil, eu fiz o que tinha de ser feito. Elaborei longos e-mails a várias editoras, “emoldurei” as obras que estavam terminadas e enviei-lhas. Acredito que muitas nem se deram ao trabalho de ver coisa alguma, simplesmente rejeitaram. Quem é esta Célia Loureiro? Não era promessa alguma de venda, como gostaria um dia de ser, apenas para melhor chegar a quem me quiser ler. A Alfarroba tem uma política diferente. Divulga, dá rosto e voz a quem tem algum talento, mas não encontra portas abertas por editoras de topo, que lidam quase exclusivamente com nomes sonantes e best-sellers. Basicamente dá-nos visibilidade, coloca-nos no meio e leva até vós, leitores, o fruto do nosso sonho.

Gostaria de se aventurar noutro estilo literário?
Sim. Visitei recentemente a Irlanda e fiquei impaciente por tentar algo… fantasioso? Algo com bruxas, feitiços e feiticeiros maus, algo que misture realidade e surrealismo, porque não creio ter o talento de um Tolkien para escrever mundos de raiz. Mas fiquei encantada com as lendas, os duendes e as fadas, e de mente muito mais aberta e estimulada para a criação de algo do género.

Sente-se preparada para receber novamente o mar de emoções que envolve o lançamento de um livro?
Hoje mesmo mencionei-o vezes sem conta. O vestido, o cabelo, as flores que espero que estejam lá, os pormenores, a câmara e o tripé. Vou estar a sorrir, de certeza, mas é como um segundo filho. Quando o primeiro veio não sabia bem ao que ia, as pessoas “louvaram-me” um pouco a mim pelo feito. Agora é o que hoje mesmo comentei: espero que este lançamento seja sobre o livro. Pouco importo eu e a sua escrita, importa ele e as suas formas, e estou ansiosa por apresentar aos leitores o desafio que foi escrevê-lo, o quanto me mudou por ir mudando, o quanto me deixou satisfeita por me permitir ser um bocadinho mais, um bocadinho até diferente daquilo que de melhor tinha esperado para ele. Acho que fui adiante com as expectativas que tinha dele, e agora os dedos tremem-me na ânsia de vos explicar a sua essência e nuances. Aguardo-vos na Biblioteca José Saramago (Feijó) no dia 20 de Outubro às 15h00. Apareçam por favor!
  

Agradecemos imenso à Célia a sua simpatia e disponibilidade, desejamos-lhe tudo de bom e que o lançamento deste novo livro seja um sucesso estrondoso. Se puderem não deixem de aparecer no dia 20 de Outubro para dar o apoio que a Célia merece.